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21-04-2006 | Genética |
 Pesquisadores identificaram variações genéticas comuns aos pacientes da doença
Fonte: Estadão Online
ATLANTA - A Síndrome da Fadiga Crônica parece resultar de algo na construção genética das pessoas que reduz sua habilidade de lidar com o estresse físico e emocional, segundo afirmaram pesquisadores neste quinta-feira.
A pesquisa traz uma das primeiras evidências científicas de que a genética, quando combinada com o estresse, pode resultar na Síndrome da Fadiga Crônica - condição tão difícil de ser diagnosticada e tão pouco entendida que alguns questionam até mesmo se é uma doença real.
Os pesquisadores disseram que as descobertas poderiam ajudar a levar a formas melhores de diagnóstico e tratamento da síndrome e na previsão de quem realmente está suscetível ao desenvolvimento da doença, que é caracterizada por uma exaustão persistente e extrema.
«Os resultados são surpreendentes», disse William Reeves, médico do Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC). Reeves disse que o estudo demonstra que as pessoas com a Síndrome da Fadiga Crônica são incapazes de lidar com os desafios e adversidades do dia-a-dia. Isso poderia incluir acidentes, doenças, divórcio, e até mesmo empregos estressantes, disseram os pesquisadores.
O CDC estima que mais de 1 milhão de americanos sofra desta condição, com o índice de casos entre as mulheres sendo quatro vezes maior do que entre os homens.
A pesquisa está contida em uma coleção de 14 artigos publicados na edição deste mês da revista científica Pharmacogenomics.
A base da pesquisa é um estudo de 227 pessoas com a síndrome. Durante dois dias, os médicos realizaram avaliações psiquiátricas, analisaram suas limitações físicas, olharam seus medicamentos, e testaram amostras de sangue e urina para anormalidades químicas e biológicas.
Os dados incluíram 500 medições clínicas e 20 mil medições da expressão genética, que é o processo pelo qual os genes regulam a atividade celular.
As informações foram então passadas para quatro equipes de investigadores, incluindo especialistas médicos, biólogos moleculares, matemáticos e engenheiros.
Eles descobriram que os pacientes com fadiga crônica apresentaram nos testes altos níveis de carga alostática, que é uma medição de estresse por secreções hormonais, pressão sanguínea e outros sinais de desgaste no corpo. Os pacientes estavam cerca de duas vezes mais suscetíveis a ter um alto índice de carga alostática do que as pessoas que não tinham a síndrome.
Os pesquisadores também descobriram que certas variações na seqüência genética em cinco genes que moderam os estresse apareceram consistentemente em pacientes com fadiga crônica. E eles identificaram pelo menos cinco subtipos da Síndrome da Fadiga Crônica, classificados de acordo com um critério que inclui sua genética e a maneira como seus sintomas se desenvolveram.
«Agora que temos essa informação, poderemos predizer quem está mais suscetível a certos tipos de eventos estressantes», disse Suzanne Vernon, bióloga molecular e líder da equipe do Laboratório de Pesquisa da Síndrome da Fadiga Crônica do CDC.
A Síndrome da Fadiga Crônica é uma doença complexa caracterizada por pelo menos seis meses de fadiga severa que não melhora com o descanso. Os pacientes também registram sintomas como dor muscular e falha de memória.
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